FERNANDO SILVA [@Fernando_Silva7]
de Sumaré
Pelo segundo ano seguido, as atenções de quem cobre o dia-a-dia da F1 estão, de certa forma, voltadas ao Bahrein. Em 2011, a corrida que abriria a temporada, em Sakhir, foi cancelada pelo governo local, que julgou não haver condições de garantir a integridade física das pessoas que acompanham a categoria, por conta dos protestos em todo o país, e, especialmente, na capital, Manama.
Só para relembrar: no fim de 2010, eclodiu uma verdadeira revolução em boa parte dos países árabes, com início na Tunísia, quando o povo ajudou a derrubar Zine Ben Ali, que governou o país do norte da África por 23 anos. O movimento ganhou corpo e a adesão de milhões de insatisfeitos, desde a África até o Oriente Médio, ganhando o nome de Primavera Árabe.
Graças ao engajamento do povo, regimes ditatoriais quase eternos, como o da Tunísia, Egito e, principalmente, na Líbia, caíram por terra. Os protestos, reprimidos de maneira sangrenta, seguem desde 2011 na Síria contra o atual presidente Bashar al-Assad.
Não tem sido diferente no Reino do Bahrein. O atual monarca, Hamad bi Isa Al-Khalifa, governa o país desde 2002, mas sua família está no comando da nação insular há pelo menos dois séculos. Entretanto, o rei, com formação escolar na Inglaterra e nos Estados Unidos, governa em prol da minoria sunita, que representa a elite barenita, causando assim a revolta na maioria xiita.
É por essa razão, basicamente, que o povo do Bahrein vem protestando desde o ano passado, tendo como objetivo principal garantir um espaço mais democrático e que a maioria xiita tenha voz mais ativa no governo.
A onda de protestos tem sido reprimida com violência pelo governo do rei Hamad, assim como já havia ocorrido no ano passado. Na esteira das manifestações, ONGs de alcance mundial reportaram um grande número de violação dos direitos humanos no Bahrein, com muitas denúncias de torturas contra os xiitas.
O mês de fevereiro tem marcado o aumento nos protestos no Bahrein, muito por conta do aniversário do chamado ‘Dia de Fúria’, em referência ao 14 de fevereiro do ano passado, quando a revolta popular eclodiu de fato. A situação é cada vez mais tensa no local, embora governantes insistam em ignorar que a crise jamais se dissipou.
Mas não são apenas os apoiadores do rei Hamad que tentam maquiar uma situação que está cada vez mais insustentável. Aliado do monarca, Bernie Ecclestone insiste em falar aos quatro cantos que o clima no Bahrein é propício para a realização de um GP de F1. As imagens aqui no post mostram exatamente o contrário. Mas Bernie, esse faz questão de não querer enxergar a realidade ao bater no peito e garantir a corrida no Bahrein, mesmo quando tudo mostra exatamente o contrário, que não há condições para tal.
Ecclestone tem seus interesses, muitos interesses financeiros, e quer satisfazer aos seus apoiadores barenitas, que gastaram rios de dinheiro na construção de um autódromo cravado no meio do deserto. Além de Bernie, a McLaren, por exemplo, tem grande interesse em voltar ao Bahrein, já que nada menos que metade das ações da equipe pertence à Mumtalakat Holding, que simplesmente é ligada à monarquia insular.
Já escrevemos sobre isso em uma reportagem na Revista Warm Up 12. O que fica evidente é que dirigentes, equipes e muitos pilotos — não todos, existem as exceções, como Mark Webber, que sempre costuma se posicionar — tendem a ignorar os fatos, as imagens e tudo mais em nome do dito ‘comprometimento profissional’. No caso de Bernie, é ainda mais grave, já que para este só interessa quantos milhões vão entrar em sua conta, não importando as condições de um país que se propõe a abrigar a F1, como se valesse tudo, desde que o pagamento seja feito.
Tal situação, assim como já aconteceu em outros tempos na África do Sul, quando a categoria simplesmente ignorou o Apartheid, e na Argentina, quando pilotos correram sob a mira de armas, por conta do regime ditatorial, apenas reforça a imagem da F1 como uma categoria que vive em seu mundinho de glamour, como se nada em volta importasse de fato, desde que não atinja a prima-dona.
E assim caminha a mediocridade.



Fazendo uma paródia: Vc não vale nada (F1) mas eu gosto de vc…
Disse tudo, mas não posso deixar de dizer que já gostei muito mais!!!
Só pouco tempo entendi por que Bernie se rendeu ao cancelamento de Gp de 2011: o tal xeque pagou pelo direito de organizar a prova, apesar de não ter havido corrida. Simplesmente uma vergonha. O que mais me chateia é que quase ninguém se posiciona contra esse absurdo, que é a tentativa de fazer uma corrida de carros a qualquer custo, no meio dessa repressão toda.
A F-1 é um mundo totalmente fora da realidade, isso que vai acabar com ela, aguardem!!!!
Concordo plenamente.
Falou tudo, Fernando!
Não se pode receber visitas quando a casa está bagunçada.
Abraço!!
O Brasil tambem é uma bagunça e ainda assim vai ter copa do mundo, aliás nem as leis federais são respeitadas pela fifa, então vamos olhar para os nossos próprios problemas pois falta de hospitais, escolas e moradias dignas tambem são violações dos direitos humanos e estou vendo muito pouco alarde à respeito. Muitos dos que criticam vão estar com a tv ligada quando o primeiro treino livre se iniciar na Autrália, e acredido que no Bahrein tambem. Isso é ipocrisia pra falar o mínimo.
É compreensivel que o Bernie pense assim, afinal F1 é um negócio. Mas as equipes, mesmo a McLaren, devem acabar vetando a corrida, assim como fizeram nos EUA em 2005. E eu concordo que não tenha corrida lá, não só por essa razão, mas também porque a pista não é lá essas coisas.
F1 é a categoria Máxima, a da Dona Máxima:
http://www.youtube.com/watch?v=3im7Wqs_-1Y
Só tem Playboy, Playold, atriz e modelo e emergente!!!
A F1 só olha pro umbigo dela! Seja Bernie, McLaren ou outra equipe! O dinheiro para eles importa mais que a democracia, a dignidade e a liberdade de quem não faz parte da casta deles!